[Muito Mais Que Isso Notícias] Coletivo feminista “TamoJuntas” completa 3 anos de auxílio à mulheres vítimas de violência

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Grupo foi inicialmente formado por advogadas de Salvador e hoje está presente em todo o país

Por Juliana Barbosa

Em abril de 2016, a advogada Laina Crisóstomo não imaginava que uma postagem no Facebook ia mudar sua rotina e a vida de muitas mulheres. Em sua página pessoal, ela ofereceu assessoria jurídica para atender uma mulher vítima de violência doméstica por mês, gratuitamente. Logo após a enorme repercussão do post (6 mil curtidas e quase 5 mil compartilhamentos) ela ganhou o apoio de mais duas advogadas: Carolina Rola e Aline Nascimento.

Laina Crisóstomo durante atendimento no TamoJuntas.

O que era um pequeno grupo de auxílio tomou grandes proporções. Tudo motivado por uma corrente de sororidade nas redes sociais. A fanpage do grupo foi criada no mês seguinte e conta, atualmente, com 80 mil seguidores. A grande demanda pelos serviços prestados e a gravidade dos casos atendidos demonstrou a necessidade de oferecer uma atenção multidisciplinar. Foi assim que, a partir de um convite para que novas voluntárias se unissem, psicólogas, assistentes sociais e outras advogadas de todo o Brasil ofereceram serviços voluntários. Todos são gratuitos, mas são voltados apenas a mulheres que não têm condições financeiras de pagar por eles. Seguindo a determinação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) quanto a atendimentos pro bono (gratuitos), a rede só atende a mulheres em situação de hipossuficiência (pobreza comprovada) e vulnerabilidade.  Atualmente há 70 (setenta) voluntárias em todo o país, sendo 30 (trinta) em Salvador, onde o TamoJuntas surgiu. E para celebrar os 3 anos de (r)existência, uma programação diversificada, nesta sexta-feira, (17).

Divulgação

Muita troca de experiências, carinho e sororidade: Confira quem vai participar!

Da Bahia para o Brasil

A TamoJuntas está nos seguintes lugares:

O Tamo Juntas está presente em 23 estados e, pela dimensão que o grupo tomou e por sua natureza dinâmica, não é tão simples contar quantas pessoas já foram ajudadas pela rede de voluntárias.Em Entrevista para a gazeta do povo, em Outubro do ano passado, Laina Crisóstomo explicou a dificuldade de numerar os atendimentos:

” Aqui em Salvador a gente tem atualmente mais de 300 processos ativos. Mas, nesses dois anos, a gente já ultrapassou 6 mil atendimentos [no Brasil todo]”

Informar para fortalecer 

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No ano de 2016 a organização realizou 7 (sete) Mutirões de Atendimento Lei Maria da Penha em Salvador com temáticas de Julho das Pretas, 10 anos da Lei Maria da Penha, Violência contra as Mulheres LBT, Saúde e Violência contra as Mulheres, Feminicidio das Mulheres Negras e Direitos Humanos e Humanas Sem Direitos com cerca de 750 mulheres atendidas. Realizamos também um curso em plataforma Moodle a distância com participação de 693 mulheres de todos os Estados do Brasil com a temática de Violência de Gênero: Aspectos Jurídicos, Psicológicos e Sociais.

O que buscamos não é apenas promover o acesso a justiça de forma real, sem discriminação e julgamento, mas também um acolhimento feminista, de mulheres se colocando no lugar de outras mulheres”, comenta a idealizadora do coletivo, que revela ter vivenciado episódios de violência. “Quem nunca, não é mesmo? Tive um namorado controlador, que queria decidir as roupas que eu iria vestir, o que eu iria comer. Foi tanta violência psicológica que cheguei a desenvolver distúrbio alimentar”. Diz Laina

A advogada destaca que a maioria das assistidas pelo TamoJuntas são negras e jovens. Mas a organização também é procurada por idosas e por mães de adolescentes e crianças que sofreram abuso sexual.

São muitos os casos, alguns pesadíssimos, de cárcere privado, estupro e tortura. Mas também temos histórias marcantes, como de ex-mulheres que se uniram para processar o agressor. Apesar de não termos estrutura nem recursos, temos algo que é muito potente, transformador e que fortalece a vida dessas mulheres. Acolher com feminismo, sororidade e empatia faz com que elas se sintam confiantes para seguir com a denúncia e, o mais importante, suas vidas”, completa Laina.

Já no ano de 2017 realizou uma Roda de Dialogo sobre a temática Feminismo e Religiosidade com a participação de cerca de 70 mulheres de diversas profissões de fé. Foi realizada a I Conferencia Nacional de voluntárias TamoJuntas com voluntarias de 13 Estados do país reunindo cerca de 70 mulheres. Foi feito um curso Direito e Gênero: Lei Maria da Penha na Prática em parceria com a Escola Superior da Advocacia com participação de 55 advogadas e estudantes de Direito. No dia 12/05 a TamoJuntas completou um ano de existência realizando um grande Ovulário na Escola superior da Advocacia sobre temas diversas sobre Feminismo e direitos das mulheres com a presença de cerca de 150 mulheres e o mutirão de aniversario no dia 13/05 em Cajazeiras 11 discutindo Justiça e Direitos das mulheres para cerca de 75 mulheres e o II Ovulário com a presença de cerca de 100 pessoas.

“A gente decidiu ampliar as atividades porque entende a importância do fortalecimento a partir do conhecimento”, diz a fundadora. “Se eu não sei o meu direito, eu não vou conseguir reivindicá-lo”.

Rede de apoio 

E não são só as atendidas pelo projeto que saem mais fortalecidas e confortadas do encontro com o Tamo Juntas. As voluntárias também descobrem na sororidade (palavra que vem do latim “soror”, que significa “irmã”) do grupo novas formas de ocupar o seu lugar no mundo.

“O Tamo Juntas tem sido um espaço de autocura, compartilhamento, acolhimento e amparo, não somente para as assistidas, mas também para as voluntárias, que todos os dias têm que ouvir histórias terríveis de violência e entendem que isso poderia acontecer com qualquer uma de nós”, relata Laina. “

Laina traz na bagagem uma história que resume bem o propósito que move o projeto. Em um dos casos que considera mais memoráveis, a ex-mulher de um agressor testemunhou a favor da, à época, atual esposa dele, vítima de violência doméstica e assistida pelo Tamo Juntas.

“Para nós isso foi muito importante porque é justamente o sentido do que é o Tamo Juntas. A gente sempre diz para as mulheres que se ouçam mais. Nós precisamos nos ouvir mais”.

Números da violência contra a mulher

Uma pesquisa recente encomendada pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) ao Instituto Datafolha aponta que mais de 16 milhões de mulheres sofreram algum tipo de violência ao longo de 2018. Segundo as projeções realizadas a partir do levantamento, a cada hora, no Brasil, 536 foram agredidas fisicamente com socos, empurrões ou chutes e 177 sofreram espancamentos. A maioria (76,4%) indicou que o agressor era conhecido –por exemplo, cônjuge, companheiro ou namorado (23,9%) e ex-cônjuge, ex-companheiro ou ex-namorado (15,2%). Além disso, o estudo mostrou que mais da metade das vítimas (52%) não procurou ajuda – somente 10% fizeram
denúncia em uma delegacia da mulher. Quando se trata de assédio, 37% das mulheres consultadas disseram ter sofrido algum tipo em 2018. Desse total, 32% receberam cantadas ou comentários desrespeitosos quando andavam na rua, 11,46% no ambiente de trabalho, e 7,78% foram assediadas fisicamente em transporte público.

Mulheres que forem vítimas de violência e precisarem da assistência do grupo podem entrar em contato pelas seguintes maneiras:

E-mail: contato@tamojuntas.org.br

Facebook

Instagram

www.tamojuntas.org.br

 

Fontes: Tamo Junta, Gazeta do Povo, Mulheres pela justiça, Universa UOL.

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