Para não esquecermos de Helem Moreira

Posted on Posted in Lei Maria Da Penha, Notícias

No dia 9 de junho de 2017, Helem Moreira, integrante do Quilombo Ilha, espaço educacional preparatório para o ingresso de pessoas negras na universidade, com sede na Ilha de Itaparica, foi brutalmente assassinada pelo ex-marido, que não aceitava o término da relação.

RTEmagicC_0000000000000HELEM_01.jpg
(Foto: Reprodução)

Com apenas 28 anos, Helem era uma jovem sonhadora, guerreira, militante e feminista. Ela acabava de se formar em Pedagogia, e vivia engajada na luta para que outras negras e negros da ilha tivessem a oportunidade de adentrar à Universidade, e assim poder transformar suas vidas e de seus familiares.

Mas infelizmente, mesmo com o apelo de familiares e amigos, o caso de feminicídio ainda segue em aberto, e o acusado Angelo da Silva (que está preso) vai a julgamento por juri popular no dia 29/11, às 8:30, no Fórum de Itaparica (estrada da Gamboa, Mar Grande – Vera Cruz).

A defesa do réu afirma que a vítima foi responsável pela própria morte, pois ao ver o video onde Helem se relaciona sexualmente (supostamente) com outro homem, o réu teria esfaqueado Helem, em razão de ciúmes.

A ONG Tamo Juntas, assistente de acusação, tem provas de que o réu tomou ciência do video em abril (roubando o cartão de memória do celular da vítima) e cometeu o crime em junho, sendo assim um ato premeditado.

Angelo foge no momento do crime, para não caracterizar o ato como flagrante, e se entrega dias depois. O vídeo intimo de Helem foi vazado momentos antes dele se entregar, tentando desqualificar a imagem da vítima, caracterizando outra acusação ao réu enquanto crime de violência de gênero, conhecido como pornografia de vingança.

A partir da repercussão entre os movimentos sociais onde Helem atuava, o caso ganhou visibilidade internacional, e passado mais de um ano, é importante seguir dando destaque a este caso, que infelizmente não é isolado, e que ainda traz opiniões controversas sobre como mulheres seguem sendo culpabilizadas em razão do ódio provocado pelo machismo.

A lei de feminicídio é uma lei nova, de 2015, o que ainda causa a dificuldade do entendimento do público em geral do assassinato de mulheres como violência de gênero. No caso de Helem, a culpabilização da vitima pelo assassinato, é mais um traço perverso da sociedade machista que moraliza e impõe normas ao corpo e ao comportamento de mulheres. Justificar sua morte, por motivos morais e cristãos é inaceitável, e invisibiliza a violência de gênero que inúmeras mulheres são vítimas diariamente.

Para saber mais sobre o caso: https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/terminei-mas-ele-nao-aceita-disse-pedagoga-a-amiga-antes-de-ser-morta-pelo-marido/

escrito por: Eliane Rubim

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *