A culpabilização das mulheres em casos de violência na sociedade brasileira e a importância do feminismo

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Texto enviado por Ana Paula Rosário, assistente de comunicação do Instituto ODARA

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Os casos de violência contra às mulheres no Brasil vem aumentando  de forma espantosa. É nítida a educação patriarcal e machista da sociedade brasileira, onde a maioria da população acredita que as mulheres são culpadas por serem vítimas de estupro ou violência doméstica, pesquisas revelam que em cada 11 minutos uma mulher é estuprada e 3 em cada 5 mulheres já sofreram violência doméstica. Acredito que essa crença vem de uma histórica educação onde as mulheres tem que ser “Belas, Recatadas e do Lar”, discurso potencializado de forma desleal e machista  pela mídia. Nesse sentido, as mulheres vivem suas vidas com a possibilidade de serem violentadas  por “não se respeitarem” ou “ usarem roupas que despertam os desejos dos homens” e até mesmo “sair e chegar tarde em casa”. A liberdade da mulher tem sido rompida pelo machismo e o sexismo, pois não dá para sustentar o discurso ilusório de “liberdade feminina” em uma sociedade onde somos educadas para nos submetermos aos homens.

A  naturalização da violência é comum quando se trata de crimes contra a mulher. Quando acontecem casos de violência envolvendo mulheres   surgem logo os questionamentos: “Porque ele bateu nela?”, “Alguma coisa ela fez”, “Ninguém mata do nada”, “Também ela queria ficar tirando onda com a cara dele”. Ou seja, sempre há uma justificativa para atitudes covardes dos homens. Lembro a pergunta do delegado que acompanhou o caso da jovem estuprada por 33 homens no Rio de Janeiro: “Você tem hábito de fazer sexo grupal?”. Em outras palavras se a jovem tinha o desejo, ou já havia praticado sexo com mais de um homem, ela merecia ser estuprada. O mesmo acontece em casos de violência doméstica. “Ela já apanhava dele e gostava. Agora que morreu tem gente querendo defender” ou “Ela apanha porque gosta”.  Sabemos que existe um grande número de mulheres que vivem em situação de vulnerabilidade social e em vários casos evitam prestar queixa de seus agressores. Não era de se esperar outra atitude quando as mesmas não acreditam mais nesse sistema judiciário mal administrado, que não garante à essas mulheres segurança, após prestar a queixa. Exemplo  disso foi o caso da jovem Jéssica Ramos, 20 anos, assassinada em 2014 pelo ex companheiro em Salvador (BA).  A vítima já havia prestado queixa, o que não a impediu de ser brutalmente assassinada.

Esses casos de violência vem nos entristecendo e, ao mesmo tempo, fortalecendo o laço feminista no Brasil. A certeza disso está em articulações de mulheres na internet e em outros espaços de  denúncias, na expectativa de fortalecer e ajudar as que vivenciam essa realidade cruel. Essas tentativas têm dado certo, pois várias mulheres  estão se posicionado quando o “assunto” é violência contra mulheres. Exemplo foi o apoio e solidariedade à jovem violentada sexualmente no Rio de Janeiro. Mulheres feministas e  mulheres que não se “intitulam” feministas adotaram a campanha #EuLutoPeloFimDaCulturaDeEstupro, colocando Twibbon em suas fotos de perfis da mídia social  Facebook. Essa campanha repercutiu nacionalmente e internacionalmente. A pressão vinda das redes sociais resultou no posicionamento das autoridades e da mídia, acredito que todo o encaminhamento dado para  esse caso foi fruto da força feminina.  

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As mídias sociais têm sido espaços essenciais para articulações e resistência. As grandes mídias de comunicação não colaboram e não é de se esperar esse apoio. Essas articulações têm contribuído para o empoderamento de várias mulheres, trazendo para o dia a dia das pessoas a palavrinha mágica: FEMINISMO. O uso das redes de internet também tem contribuído para denunciar homens que se sentem incomodados com a indignação exposta por mulheres  e frequentemente fazem comentários e ataques machistas e sexistas. Esse incômodo é resultado da “ameaça” a certeza de que não vai dar em nada violentar uma mulher, já que por muito tempo a vítima é culpabilizada.

Ser ativista feminista é muito importante. Trazer à sociedade discussões que não são de costume debater para serem abordadas é necessário para desconstrução da naturalização e culpabilização das vítimas. É trazer para crianças, adolescentes e jovens que  a mulher não é a culpada pelas violências vivenciadas todos os dias (assédio, palavrões, gestos obscenos e etc…), que as meninas não são obrigadas a  seguir esse padrão patriarcal imposto pela sociedade. A tarefa é difícil, mas tem sido a base de apoio e resolução de muitos casos de violência e não importa onde a vítima mora, a internet possibilita essa conexão,  e  sempre vai haver uma conexão.

O feminismo tem uma grande história de conquistas, pois nossas antepassadas que resistiram e venceram várias lutas  hoje seguem formando e informando nossa geração para dar seguimento à essa luta. Tenho a certeza que quando as mulheres se juntam para dizer CHEGA DE SERMOS VIOLENTADAS é uma grande vitória. Quebrar esses sistema de educação patriacal, machista e sexista tem sido uma luta diária para mulheres, mas também,acordar todos os dias e empoderar uma mina é fortificante. O  significado disso é a certeza de que a revolução já começou. Acredito que a revolução é feminina e é um orgulho fazer parte disso.    

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